O trio capixaba Merda tem uma discografia que definitivamente não repete sua sonoridade. Índio Cocalero começou como uma brincadeira no Uruguay, inclusive com membros do Hablan Por La Espalda, e acabou virando o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band do Merda. E foi com ele debaixo do braço que Fabio Mozine (guitarra/voz), Rogério Japa (baixo/voz) e Alex Vieira (bateria) fizeram um giro pelos EUA onde efetuaram 11 shows.
Nesta pérola, lançada em CD e vinil em 2012 e K7 coreana, os três amigos contaram com um time de feras para ajudar na composição do material: os eternos integrantes Nego Leo (também do Zémaria) e Paulista (Mukeka di Rato, Os Pedrero) comparecem, assim como o hippie punk rajneesh Fepaschoal, Sandro Juliati (Mukeka), Alexandre Lima (renomado músico capixaba) e Ricardo Mendes (responsável pela mixagem e masterização).
A faixa que deu nome do disco se encarrega de ser a abertura e já mostrar o teor: hardcore reto com viagens cocaleras, que somem na sequência com 3rd World Malandragem e sua letra sobre o little brazilian way.
Ainda que sem querer o Merda tem lá sua “regras”, por exemplo ter um rock alternativo podre já que uma vez Nirvana dos Pobres, eternamente Kurt Cobain de Coqueiral de Itaparica - e Um Soco Na Cara tá aí pra preencher essa cota. Gangs do Norte perambula um pouco por essa fronteira, mas pensando em flechar a cabeça dos forasteiros.
Outra “regrinha” é ter aquele chamego FYP, sempre com um xilofonezinho, e isso acontece em Mi Capital Federal, Eles Não Sabem Dizer o Que É e Bullying Yourself.
Há ainda tropicalidade samba noisecore em O Dinheiro É Meu e portunhol e inglês na verídica (?) Excursion Para Punta Del Leste. Punk rock chega em Parabéns Pra Você!, fica nervoso em japonês Mayaku Mitsuyusen e em Takusan Nomitai ganha uma face catchy The Dudoos. Já Fogo Na Água tem intro grind e punk rock melódico em inglês.
A versão de Crudo Soy, do maior expoente punk latino, Los Crudos, tem aquele vocal que só Sandro di Rato sabe fazer. Frankitão é uma homenagem a Frankito Lopes baseada em sua Quero Dormir Em Seus Braços.
Uma retidão hardcoreana é formada com Change My Way (com sax, acredite!) e Choripan (sobre a gastronomia uruguaya).
Esporte é com o Merda: Peteca (punk rocker), Nem Todo Brasileiro que Gosta de Futebol Gosta do Neymar (crossoverzinho parente distante de Ratos de Porão) e Jobson É Craque (grind com swing sangue bom).
Imagine a nave da Xuxa pousando no campus de alguma Universidade Federal, agora pense nas paquitas cantando e dançando, certeza que a trilha sonora seria Argyreia Nervosa - os mais sensíveis notarão que ela tem uma coloração diferente das demais canções do disco. Em Ayhuasca is Not LSD o menino bão Fepaschoal doutrina o homem branco sobre o cipó do índio como fosse parte de um hinário do Santo Daime.
A reta final do álbum tem Fechado e seu hardcore típico merdístico, Evocando Xamãs e uma breve passagem psicodélica indígena e Piranha, onde é feito um tributo a Alypio Martins e ao peixe voraz do Rio São Francisco. [Resenha por: Ricardo Tibiu]
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